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Papa Leão XIV homenageia jornalistas e defende liberdade de imprensa


O papa Leão XIV afirmou neste domingo (3/5) que a liberdade de imprensa segue sendo desrespeitada em diversas partes do mundo. A declaração foi feita durante a recitação da Regina Coeli, no Vaticano, em referência ao Dia Mundial da Liberdade de Imprensa.

Segundo o pontífice, o direito à informação livre e independente é frequentemente violado. Ele também chamou atenção para os riscos enfrentados por profissionais da comunicação, especialmente em contextos de conflito.

“Infelizmente, este direito é frequentemente violado, por vezes de forma flagrante, por vezes de forma velada. Lembremo-nos dos muitos jornalistas e repórteres que foram vítimas de guerras e violência”, afirmou o papa.

A data também foi lembrada por outras lideranças internacionais. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a liberdade de imprensa é um dos pilares das democracias e reforçou o compromisso da União Europeia com a proteção de jornalistas.

Já o ministro da Empresa e do Made in Italy, Adolfo Urso, declarou que defender os profissionais da comunicação vai além de uma obrigação moral, sendo um compromisso prático para fortalecer a democracia.

De acordo com levantamento da Repórteres Sem Fronteiras (RSF), de abril deste ano, mais da metade dos países do mundo (52,2%) está em situação “difícil” ou “muito grave” em relação à liberdade de imprensa — o pior índice desde o início da série histórica, há 25 anos.

Confira aqui o Ranking Mundial da Liberdade de Imprensa 2026.



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Presidente de Cuba diz que “defenderá cada palmo” do país contra Trump


O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, reagiu neste sábado (2/5), em publicação no X, às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou poder “assumir” a ilha após o fim da guerra com o Irã.

“Nenhum agressor, por mais poderoso que seja, encontrará rendição em Cuba, mas sim um povo decidido a defender a soberania e a independência em cada palmo do território nacional”, escreveu Canel.

A declaração é uma resposta a ameaças feitas por Trump durante um evento na Flórida, na sexta-feira (1º/5), quando o presidente norte-americano expôs a intenção de pressionar Cuba militarmente assim que a guerra no Irã chegar ao fim.

O republicano também declarou que os Estados Unidos poderiam enviar um porta-aviões para as imediações da costa cubana em breve.

Ainda na sexta-feira, Trump assinou um decreto ampliando as sanções contra o país, alegando que Havana “segue representando uma ameaça extraordinária”.

As novas sanções têm como alvo pessoas, entidades e afiliadas que apoiam o aparato de segurança do governo cubano. Também estão na mira agentes, funcionários ou apoiadores do governo.

Na manifestação no X, o presidente cubano reforçou que “o presidente dos Estados Unidos acaba de elevar as ameaças de agressão militar contra Cuba a uma escala perigosa e sem precedentes”.



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EUA vão guiar navios retidos no Estreito de Ormuz, diz Trump


O presidente Donald Trump anunciou neste domingo (3/5) que os Estados Unidos iniciarão, a partir de segunda-feira (4/5), uma operação para guiar navios retidos no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas do mundo, afetada pela guerra contra o Irã.

Segundo Trump, a decisão foi tomada após pedidos de diversos países que não têm envolvimento direto no conflito no Oriente Médio, mas que acabaram com embarcações presas na região.

“Para o bem do Irã, do Oriente Médio e dos Estados Unidos, informamos a esses países que guiaremos seus navios com segurança para fora dessas vias navegáveis ​​restritas, para que possam seguir com suas atividades livremente. Instruí meus representantes a informá-los de que faremos todos os esforços para retirar seus navios e tripulações do Estreito em segurança”, escreveu na Truth Social.

O republicano chamou a ação de “Projeto Liberdade” e afirmou que a iniciativa tem caráter humanitário. De acordo com ele, algumas embarcações enfrentam dificuldades, como falta de alimentos e outros itens essenciais para as tripulações.

Imagem colorida, estreito de ormuz
Estreito de Ormuz, canal marítimo por onde passa 20% do petróleo mundial

Trump declarou ainda que há conversas em andamento com o Irã e que as negociações têm sido positivas. Mesmo assim, destacou que a operação ocorrerá independentemente disso, com o objetivo de retirar navios de países considerados neutros no conflito.

O líder norte-americano afirmou ainda que os países envolvidos indicaram que não pretendem voltar a operar na região até que haja segurança para navegação. Ele acrescentou que qualquer tentativa de interferência na operação poderá ser respondida de forma firme pelos Estados Unidos.

O Estreito de Ormuz é uma área estratégica para o transporte de petróleo e tem sido afetado por tensões recentes na região, o que tem impactado o tráfego marítimo internacional.

Negociações de paz

O governo dos Estados Unidos respondeu à proposta enviada pelo Irã, com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio. A informação foi divulgada neste domingo (3/5) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. A resposta, no entanto, não foi divulgada.

A nova tentativa de um fim pacífico para o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, foi mediada pelo Paquistão.

“Essa visão está sendo analisada e, após a conclusão, a resposta do Irã será apresentada”, disse o porta-voz da chancelaria iraniana à agência estatal Tasnim. Na última sexta-feira (1º/5), o governo iraniano enviou uma proposta de paz para os EUA de 14 pontos. Donald Trump, contudo, deu declarações contrárias ao texto do possível acordo.

Entre outros pontos, o plano prevê o fim dos combates, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio norte-americano em portos do Irã.

Segundo o documento, questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, usado por Washington como justificativa para o início da guerra, devem ser discutidas posteriormente.



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Justiça de Israel prorroga prisão de Thiago Ávila por mais 2 dias


O Tribunal de Magistrados de Ashkelon, em Israel, decidiu prorrogar por mais dois dias a detenção do ativista brasileiro Thiago Ávila e do espanhol Saif Abu Keshek, preso na mesma operação. A informação foi confirmada ao Metrópoles, neste domingo (3/5), pela família de Ávila.

Ávila e Keshek integravam uma flotilha com destino à Gaza e foram interceptados por forças israelenses em águas internacionais, nas proximidades da Grécia.

De acordo com a esposa do brasileiro, Lara Souza, a prisão foi estendida inicialmente até uma nova audiência marcada para terça-feira (5/5), ao meio-dia, no horário local. Foram apresentadas cinco acusações contra o ativista, todas relacionadas à suspeita de associação com terrorismo e colaboração com o inimigo em período de guerra.

A defesa de Ávila sustenta que não há provas ou fundamentos concretos que embasem as acusações, que permanecem, até o momento, no campo das suspeitas. O ativista segue detido para interrogatório, sem denúncia formalizada e sem previsão para eventual oferecimento.

Justiça de Israel prorroga prisão de Thiago Ávila por mais 2 dias - destaque galeria

Prisão

Ávila foi preso na última quarta-feira (29/4) pelo Exército de Israel enquanto integrava a delegação da Global Sumud Flotilla, grupo que tenta levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Na mesma ação, também foi detido o ativista espanhol Saif Abu Keshek.

Segundo a organização de direitos humanos Adalah, o brasileiro relatou ter sido mantido em isolamento e com os olhos vendados após a detenção. Ávila também teria afirmado aos advogados que sofreu agressões durante a abordagem, incluindo espancamentos que o fizeram desmaiar.

A Global Sumud Flotilla afirma que mais de 22 embarcações e cerca de 175 ativistas foram colocados sob custódia pelas forças israelenses durante a operação.

Esta é a terceira vez que o brasileiro é detido em pouco mais de um mês. Antes de Israel, ele havia sido preso no Panamá, em 25 de março, e na Argentina, no dia 31 do mesmo mês, quando acabou deportado para Barcelona, na Espanha.

Israel diz que ativistas têm ligação com o Hamas

O governo de Israel sustenta que os ativistas têm ligação com a Conferência Popular para os Palestinos no Exterior (PCPA), organização alvo de sanções dos Estados Unidos por suposta atuação em favor do grupo Hamas. As autoridades israelenses afirmam que Abu Keshek tem papel relevante na entidade e que Ávila é suspeito de envolvimento em atividades ilegais.

Já os organizadores da flotilha dizem que a interceptação ocorreu a mais de mil quilômetros de Gaza, em águas internacionais, e classificam a ação como ilegal.

Os governos do Brasil e da Espanha divulgaram uma nota conjunta condenando a detenção dos ativistas. No comunicado, os países afirmam que a ação de Israel viola o direito internacional e pode ser questionada em instâncias judiciais internacionais.



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Trump diz que está analisando nova proposta de paz enviada pelo Irã


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (2/5) que está analisando uma nova proposta de acordo de paz enviada pelo governo do Irã. Segundo ele, o conteúdo ainda não foi avaliado por completo, mas já há dúvidas sobre a viabilidade do plano.

Mais cedo, a agência estatal iraniana Tasnim informou que Teerã encaminhou aos EUA uma proposta com 14 pontos. Questionado por jornalistas antes de embarcar no Air Force One, Trump disse que ainda não tinha visto o documento na íntegra.

“Estão me explicando o conceito do acordo. Vou analisar e depois falo com vocês”, afirmou o presidente, ao comentar que receberia a versão final do texto durante a viagem.

Em publicação na rede Truth Social, Trump demonstrou ceticismo. Ele disse que pretende examinar o plano, mas afirmou que tem dificuldade em considerar a proposta aceitável.

“Em breve analisarei o plano que o Irã acaba de nos enviar, mas não consigo imaginar que seja aceitável, visto que eles ainda não pagaram um preço suficientemente alto pelo que fizeram à humanidade e ao mundo nos últimos 47 anos”, escreveu.

Irã diz estar pronto para negociar ou continuar guerra

Do lado iraniano, o discurso é de pressão por uma decisão rápida. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, declarou que o país está aberto ao diálogo, mas também preparado para manter o confronto.

“A decisão está nas mãos dos Estados Unidos, que devem escolher entre a diplomacia ou a continuidade da tensão”, disse.

A nova proposta surge um dia após Trump rejeitar uma tentativa anterior de retomar negociações. De acordo com autoridades iranianas, o plano inclui medidas como o fim das hostilidades com EUA e Israel, a reabertura do Estreito de Ormuz, o encerramento de bloqueios a portos iranianos e o adiamento das discussões sobre o programa nuclear.

Esse último ponto, no entanto, é considerado central pelos Estados Unidos. Trump vê o programa nuclear iraniano como uma ameaça à segurança nacional e já indicou que esse tema não deve ser deixado para depois.

A última rodada de negociações entre os dois países ocorreu em 12 de abril, no Paquistão, mas terminou sem avanços. Desde então, o conflito segue em um cessar-fogo por tempo indeterminado, anunciado pelo próprio presidente norte-americano no fim de abril.



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Estados Unidos responde proposta de paz enviada pelo Irã


O governo dos Estados Unidos respondeu à proposta enviada pelo Irã, com o objetivo de encerrar a guerra no Oriente Médio. A informação foi divulgada neste domingo (3/5) pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei. A resposta, no entanto, não foi divulgada.

A nova tentativa de um fim pacífico para o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, foi mediada pelo Paquistão.

“Essa visão está sendo analisada e, após a conclusão, a resposta do Irã será apresentada”, disse o porta-voz da chancelaria iraniana à agência estatal Tasnim.

Na última sexta-feira (1º/5), o governo iraniano enviou uma proposta de paz para os EUA de 14 pontos. Donald Trump, contudo, deu declarações contrárias ao texto do possível acordo.

Entre outros pontos, o plano prevê o fim dos combates, a reabertura do Estreito de Ormuz e o fim do bloqueio norte-americano em portos do Irã. 

Segundo o documento, questões relacionadas ao programa nuclear iraniano, usado por Washington como justificativa para o início da guerra, devem ser discutidas posteriormente.



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Em meio à guerra, países da Opep+ vão aumentar produção de petróleo



Sete países da Opep+ concordaram em aumentar suas metas de produção de petróleo em 188 mil barris por dia em junho



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Imprensa europeia celebra megashow de Shakira em Copacabana


O megashow gratuito de Shakira neste sábado na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, teve forte repercussão na imprensa europeia e nas principais agências internacionais de notícias, que classificaram, neste domingo (3/5), a apresentação como histórica, monumental e simbólica para a música latina no cenário global.

Estimativas oficiais apontam que cerca de 2 milhões de pessoas acompanharam a apresentação da artista colombiana, transformando a orla de Copacabana em um dos maiores palcos de música ao vivo do mundo.

O jornal francês Le Monde, em reportagem da agência France‑Presse (AFP), descreveu o espetáculo como uma verdadeira “maré humana” sob a lua cheia, com Copacabana convertida em espaço de celebração coletiva.

O texto destacou a imagem da loba – símbolo da artista – desenhada por drones no céu, a sucessão de figurinos, os discursos de empoderamento feminino e a força simbólica do evento ao inserir Shakira no mesmo patamar das apresentações históricas de Madonna (2024) e Lady Gaga (2025) na mesma praia.

A AFP, em geral, ressaltou a dimensão cultural e econômica do show, salientando que os concertos gratuitos em Copacabana se consolidaram como uma vitrine internacional do Rio de Janeiro. Segundo a agência, Shakira reuniu entretenimento de massa, identidade latina e narrativas políticas ligadas à força das mulheres, diante de um dos maiores públicos de sua carreira.

“Rainha absoluta da música latina”

A cobertura espanhola foi especialmente enfática. O jornal El País classificou Shakira como a “rainha absoluta da música latina” e definiu o show como o maior de sua carreira e o espetáculo com maior público já realizado por um artista latino.

A publicação destacou a comunicação constante da cantora em português, sua conexão histórica com o Brasil e a dedicação do espetáculo às mulheres latinas, com menção simbólica às mães solo brasileiras. Para o diário, Copacabana funcionou como um verdadeiro “altar planetário” da música popular contemporânea.

Também na Espanha, a agência de notícias EFE descreveu o show como um marco histórico para a carreira de Shakira e para a presença da música latina em eventos de massa globais.

Em seus despachos, a agência espanhola ressaltou que a cantora se tornou a primeira artista latina a protagonizar um concerto dessa magnitude em Copacabana, superando públicos recentes de grandes estrelas internacionais.

A agência destacou ainda o vínculo afetivo da cantora com o Brasil, evidenciado pelo uso frequente do português no palco, pelas referências à sua trajetória no país desde os anos 1990 e pela celebração explícita da identidade e da força das mulheres latinas durante o espetáculo.

“Show rompeu todas as escalas”

A cobertura alemã também foi ampla. O correspondente no Rio do jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ) afirmou que o show “rompeu todas as escalas conhecidas” para eventos musicais ao ar livre e consolidou Copacabana como o maior palco permanente de megaconcertos do mundo.

O jornalista sublinhou a estratégia do Rio ao apostar em eventos gratuitos de superestrelas para reforçar sua projeção internacional.

A agência alemã DPA (Deutsche Presse‑Agentur) destacou o espetáculo como um marco logístico, cultural e turístico, enfatizando o tamanho da estrutura do palco, a mobilização de milhões de pessoas e o impacto positivo para a imagem global da cidade. Para a DPA, o concerto confirmou Shakira como uma das artistas latinas de maior alcance internacional da atualidade.

“Pista de dança a céu aberto”

No Reino Unido, o jornal The Independent descreveu Copacabana como uma “pista de dança a céu aberto”, enquanto a revista britânica NME classificou a apresentação como “o maior show da carreira de Shakira”, destacando o coro coletivo de sucessos como Hips Don’t Lie, La Tortura e Waka Waka.

A agência de notícias britânica Reuters descreveu o concerto como um evento de escala raramente vista, ressaltando a multidão que ocupou toda a extensão de Copacabana e o impacto visual da produção, com drones iluminando o céu e mensagens de carinho ao Brasil.

Segundo a Reuters, Shakira foi recebida com aplausos ensurdecedores ao subir ao palco, mais de uma hora após o horário previsto, e emocionou o público ao relembrar sua primeira ida ao país, aos 18 anos, destacando a conexão de três décadas com os fãs brasileiros.

O balanço geral da imprensa europeia converge para a mesma avaliação: o show de Shakira em Copacabana ultrapassou o status de simples concerto e se consolidou como um acontecimento cultural de alcance mundial, reafirmando o Brasil, e especialmente o Rio de Janeiro, como um dos grandes epicentros globais de espetáculos populares de massa.



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A “zona-tampão” imposta por Israel no sul do Líbano é legal?


Uma zona-tampão — como a que Israel vem anunciando que está estabelecendo no Líbano — é legal segundo o direito internacional? A resposta breve é: possivelmente.

Mas a resposta longa é mais complicada. Segundo especialistas, as ações efetivas de Israel no território podem, na verdade, não constituir de forma alguma o estabelecimento de “zona-tampão de segurança”, pelo menos não segundo o direito internacional.

No início de março, tropas israelenses invadiram e passaram a ocupar uma área do Líbano entre 5 e 10 quilômetros da fronteira entre os dois países. Israel argumenta que está agindo em legítima defesa. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirma que a zona-tampão no sul do Líbano tem como objetivo “frustrar a ameaça de invasão” do grupo libanês Hezbollah.

Mas isso é legal?

A razão pela qual a resposta à pergunta original é complexa é que as zonas-tampão, tal como são frequentemente utilizadas em guerras, não estão muito bem definidas no direito internacional humanitário, cujas regras foram elaboradas após as guerras mundiais do século passado.

“As zonas-tampão não são explicitamente abordadas em nenhuma parte do direito internacional”, confirma Gustav Meibauer, professor-assistente de relações internacionais na Universidade Radboud, na Holanda, que estuda mecanismos como zonas-tampão e zonas de exclusão aérea.

“As fontes padrão — como a Carta das Nações Unidas, as Convenções de Genebra ou de Haia — não têm muito a dizer sobre zonas-tampão, pelo menos não explicitamente”, pontua.

As zonas-tampão podem ter aspectos positivos, argumentou o pesquisador Eian Katz em um artigo para a revista jurídica da Universidade de Chicago, nos EUA. Seu texto, de 2017, ainda é considerado uma das principais referências sobre a legislação de zonas-tampão, segundo especialistas.

“[As zonas-tampão] reforçam a integridade das fronteiras, permitindo que os Estados se protejam melhor contra ameaças emergentes à segurança por parte de atores não estatais, especialmente o terrorismo e a imigração ilegal. Também podem ser usadas para conter zonas de guerra”, argumentou Katz, que agora trabalha como advogado para o Departamento de Estado dos EUA.

Uma zona-tampão, segundo ele, também pode ter uma função humanitária, ajudando a abrigar pessoas deslocadas ou a distribuir ajuda humanitária.

“Mas as zonas-tampão nem sempre são motivadas por objetivos tão nobres”, alertou Katz. “E têm sido utilizadas, por outro lado, como pretexto para ampliar uma esfera de influência ou buscar objetivos discretos de política externa.”

Meibauer, por sua vez, aponta que a situação jurídica ambígua em relação às zonas-tampão pode, na realidade, torná-las mais atraentes. “Politicamente falando, essa zona cinzenta jurídica em que se encontram pode, na verdade, torná-las atraentes para tomadores de decisão que não querem necessariamente que suas ações sejam contempladas de forma tão explícita pelo direito internacional”, explica.

Eles também podem preferir usar o termo “zona-tampão” simplesmente porque soa melhor, acrescenta ele. “Ocupar e anexar é o que pessoas mal-intencionadas fazem. Enquanto ‘zona-tampão’ soa mais como um tipo de mecanismo mais suave, moderado e limitado, que é mais aceitável tanto para o público nacional quanto para o internacional.”

Motivos para a criação de zonas-tampão

Há uma série de fatores que precisam ser levados em consideração para decidir se uma zona-tampão é legal.

Um dos mais importantes é se a zona-tampão foi criada por acordo mútuo ou imposta unilateralmente. Por exemplo, dois países decidem que é uma boa ideia manter uma distância entre si para que seus soldados não atirem acidentalmente uns nos outros. Nesse caso, do ponto de vista do direito internacional, isso geralmente não é um problema.

Mas se uma zona-tampão for imposta unilateralmente a um país por outro, a situação é diferente e pode ser vista como uma ameaça à soberania.

Nesse caso, há três argumentos, muitas vezes sobrepostos, usados para a imposição de uma zona-tampão, apontou Katz em seu artigo jurídico.

São eles: a zona-tampão ser autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas; o país que impõe estar fazendo isso por razões humanitárias; ou que a imposição seja motivada por legítima defesa.

O que acontece numa zona-tampão?

Depois que uma zona-tampão é estabelecida, independentemente de ter ou não justificativa legal, “o direito internacional ainda rege seu funcionamento”, segundo Katz. “As Convenções de Genebra e seu protocolo adicional, que estabelecem as regras básicas para conflitos armados, constituem a base desse direito.”

Essas regras enfatizam os princípios da proporcionalidade e da necessidade militar — ou seja, as ações de um exército podem ser justificadas, mas seus soldados não devem ir além do que é absolutamente necessário. Tanto a proporcionalidade quanto a necessidade também se aplicam às zonas-tampão, e a lei estabelece padrões rigorosos para elas.

Por exemplo, as convenções determinam que objetos civis, propriedade privada e infraestrutura não devem ser destruídos, exceto em circunstâncias específicas e estritamente definidas, nas quais elas possam ser encaradas como apoio para uma força militar.

Israel frequentemente alega que o grupo Hezbollah usa edifícios na zona-tampão. Em 22 de março, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, ordenou às forças armadas do seu país que “acelerassem a destruição de residências libanesas” perto da fronteira israelense com base no que chamou de “modelo de Gaza”, em referência ao território palestino devastado por forças israelenses a partir de 2023.

“É preciso existir um objetivo militar e operacional legítimo — e que a única maneira de alcançá-lo envolva destruir propriedade civil”, afirmou Janina Dill, codiretora do Instituto de Ética, Direito e Conflito Armado da Universidade de Oxford, no Reino Unido, à rede CNN em abril de 2025, ao falar sobre a conduta do exército israelense em Gaza.

No entanto, a destruição deliberada e generalizada de propriedade civil sem uma clara necessidade militar constitui crime de guerra, advertiu Dill à emissora.

Segundo o pesquisador Katz, os mesmos princípios de proporcionalidade e necessidade também se aplicam aos seres humanos na zona-tampão. Se for viável, a força militar deve tentar estabelecer contato, se identificar e usar táticas de dispersão antes de atirar em um civil. No entanto, ele constata que “o uso ilegal da força se tornou comum em muitas zonas-tampão”.

As zonas-tampão vieram para ficar?

Outro fator que o direito internacional leva em conta em zonas-tampão é o seu caráter permanente. No início, o direito internacional tendia a considerar as zonas-tampão como algo temporário — quando a guerra acabasse, não haveria mais necessidade delas.

Mas, se as zonas-tampão se tornarem permanentes, elas podem nem ser mais consideradas como tal, ressalta Meibauer.

“Politicamente, uma zona-tampão ou zona de segurança costuma ser, em grande parte, performática”, diz ele. “O que importa não é como algo é chamado, mas o que está sendo feito.”

De acordo com o direito internacional, uma área é considerada ocupada quando há forças militares estrangeiras no local, sem permissão do país que está sendo ocupado e se essas forças militares estrangeiras estabeleceram controle sobre essa área.

No fim de abril, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que Israel não deseja manter o controle de território no Líbano de forma permanente. No entanto, vários políticos israelenses, incluindo o ministro da Defesa do país, têm explicitado o contrário, afirmando às centenas de milhares de civis libaneses expulsos de suas casas que eles não poderão retornar.

“Na medida em que essa invasão [do Líbano] se torne um arranjo permanente de fato, em que, primeiro, um território se torna inabitável e, segundo, fique sob o controle efetivo de Israel, então o que estaremos vendo é uma ocupação”, conclui Meibauer. “E isso importa porque há todo tipo de consequência jurídica que decorre disso. A ocupação é amplamente regulamentada pelas Convenções de Genebra e pelas Convenções de Haia.”

Leia outras reportagens em DW Brasil, parceiro do Metrópoles. 



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EUA: Rubio visitará Vaticano após bate-boca de Trump com papa Leão XIV


O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, tem uma visita programada ao Vaticano nesta semana, de acordo com a imprensa italiana. A visita ocorre dias depois de o presidente Donald Trump fazer duras críticas ao papa Leão XIV, que reagiu.

Em declarações públicas, o pontífice condenou as guerras em curso no mundo e líderes que dão início a conflitos armados. Após as afirmações, Donald Trump fez críticas diretas à autoridade católica.

“O papa Leão XIV é fraco no combate ao crime e péssimo para a política externa. Não quero um papa que ache normal o Irã ter uma arma nuclear”, disse o presidente dos EUA em publicação nas redes sociais.

Em resposta as afirmações do líder norte-americano, papa Leão minimizou qualquer atrito e declarou que “não é do seu interesse” entrar em debate. O pontífice declarou ainda que seus discursos não tinham como alvo o presidente dos Estados Unidos.

A expectativa é que Rubio se reúna com o papa no dia 7 de maio, embora o encontro ainda não esteja previsto da agenda oficial do pontífice. O secretário norte-americano também deve se encontrar com o cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin.

Durante o tour pelo território italiano, Marco Rubio também deve se reunir com a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni. Vista como o elo dos Estados Unidos na União Europeia e no continente europeu, Meloni também enfrentou atritos com Donald Trump nas últimas semanas.

Críticas à premiê italiana

A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, também foi alvo de críticas por parte do presidente dos Estados Unidos. Embora os dois líderes compartilhem algumas visões de mundo e fossem vistos como aliados, a política italiana não passou ilesa ao republicano.

Em meio às declarações de Trump contra o papa, Meloni saiu em defesa do pontífice. “Considero inaceitáveis as palavras do presidente Trump em relação ao Santo Padre. O papa é o líder da Igreja Católica, e é correto e natural que ele peça paz e condene todas as formas de guerra”, declarou a premiê.

Dias depois, Trump comentou a declaração e disse que Meloni “não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país”. As afirmações foram mais um ponto de tensão na relação entre Trump e líderes europeus, que têm enfrentado conflitos e debater públicos nas últimas semanas.



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