A Organização Mundial da Saúde alerta, nesta sexta-feira (8/5), que é possível que surjam novos casos de contaminação pelo hantavírus.
Porém, o risco de surto permanece limitado, segundo a entidade. Uma comissária de bordo da KLM, que apresentou sintomas leves de hantavírus e foi hospitalizada em Amsterdã, testou negativo, informou a OMS.
Até o momento, três pessoas morreram em decorrência da cepa andina.
A Espanha acompanha de perto a situação, já que o navio de cruzeiro MV Hondius deve chegar às Ilhas Canárias no domingo (10/5), de onde os passageiros devem ser retirados em uma operação controlada de repatriação e transferência sanitária. O assunto vem gerando tensão no país.
Uma das principais decisões anunciadas recentemente pelas autoridades espanholas é que o navio não vai atracar no porto de Tenerife, para onde está se dirigindo. Ao invés disso, o barco ficará parado no mar, ancorado perto da costa. Segundo o chefe do executivo das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, a medida reduziria os riscos de contágio. A retirada dos passageiros será feita com embarcações de apoio, e o transporte até o aeroporto acontecerá sob um protocolo sanitário específico.
Os passageiros não devem circular pela ilha e o governo espanhol afirma que não haverá contato de quem desembarcar com a população local. Segundo o Ministério da Saúde da Espanha, os viajantes serão avaliados ainda a bordo, e só poderão deixar o navio quando toda a operação de repatriação estiver pronta. A ideia é fazer um desembarque rápido e controlado.
Do porto, as pessoas que desembarcarem devem ser deslocadas diretamente para o aeroporto. De acordo com a ministra da Saúde da Espanha, Mónica García, todos os passageiros estrangeiros devem ser repatriados após o desembarque, caso não haja contraindicação médica.
Estado de alerta
Moradores e trabalhadores da região têm se demonstrado preocupados. Especialmente na ilha de Tenerife, onde o navio deve permanecer próximo da costa. Em entrevistas à AFP, locais disseram que o assunto domina as conversas dos últimos dias. Apesar disso, muitos defendem que os passageiros precisam receber ajuda humanitária.
Além da repercussão que existe entre a população local, houve reação também por parte dos trabalhadores portuários. Um grupo de funcionários dos portos de Santa Cruz de Tenerife e Granadilla, representado pela organização “Trabalhadores pelos Portos de Tenerife” chegou a ameaçar bloquear as atividades portuárias por medo da falta de informações e de protocolos claros.
Representantes da categoria acusam as autoridades de não explicarem exatamente quais medidas de segurança serão adotadas. Alguns trabalhadores disseram estar com medo de atuar diretamente nas operações de aproximação do navio. Há, inclusive, uma manifestação convocada para o meio-dia desta sexta-feira (7h em Brasília), em Santa Cruz de Tenerife.
A insatisfação, no entanto, não é consenso entre os trabalhadores. O sindicato “Coordenadora Estatal de Trabalhadores do Mar”, que se apresenta como o principal do setor marítimo, divulgou um comunicado dizendo que não apoia paralisações nem protestos e que considera a decisão de manter o navio próximo à costa a alternativa mais prudente do ponto de vista sanitário.
Tensão política
A decisão de receber a tripulação do navio em território espanhol gerou desgaste entre o governo nacional e a administração regional das Ilhas Canárias. O chefe do executivo das Canárias chegou a reclamar de falta de informações e a dizer que Madri tomou decisões sem consultar as ilhas. O governo central negou e a ministra da Saúde, Mónica García, afirmou que houve, sim, um contato estreito com a administração regional.
Depois de dias de tensão, o primeiro-ministro Pedro Sánchez telefonou para o líder regional, Fernando Clavijo, numa tentativa de conciliação. Além disso, o governante das Ilhas Canárias se reuniu, nesta quinta-feira (7), com a ministra da Saúde e com o ministro de Política Territorial, Ángel Víctor Torres. No encontro, os líderes falaram sobre a operação de desembarque.
Em paralelo a isso, diferentes lideranças de oposição ao governo central cobram mais transparência sobre os protocolos sanitários e sobre os critérios usados para levar o navio até Tenerife. Houve divergências também dentro do próprio governo espanhol sobre a possibilidade de quarentena obrigatória para passageiros espanhóis que estão a bordo.
Enquanto a ministra da Defesa, Margarita Robles, defendeu que a quarentena seria voluntária, a ministra da Saúde, Mónica García, mencionou que o Estado espanhol tem as ferramentas legais necessárias para impor o isolamento dos nacionais que estão no cruzeiro. Apesar disso, García ressaltou que o “bom senso” prevalecerá e que acredita que os envolvidos são “suficientemente responsáveis”.
Enquanto isso, a Organização Mundial da Saúde segue monitorando o caso.
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