A Justiça do Rio de Janeiro determinou o trancamento do inquérito policial que investigava o vereador Salvino de Oliveira Barbosa (PSD) por suposta ligação com o Comando Vermelho (CV). O parlamentar havia sido preso no dia 11 de março durante a megaoperação da Polícia Civil (PCERJ) contra a facção criminosa.
Na decisão, obtida pelo Metrópoles, o juiz Renan de Freitas Ongaratto, da 2ª Vara Especializada em Organização Criminosa, afirmou que não há “justa causa” para manter a investigação contra Salvino.
O magistrado apontou “flagrantes ilegalidades” na condução do procedimento investigativo e citou indícios de possível utilização do aparato policial para “fins de perseguição política”.
“Desta feita, o que se tem é que — após a decretação e posterior revogação da prisão temporária — as investigações dirigidas ao investigado Salvino intensificaram-se sem novos indícios concretos e as condutas apuradas suscitam diversos questionamentos acerca de possível utilização do aparato investigativo para fins de perseguição política”, escreveu o juiz.
As investigações apontavam que o vereador, que atua na Câmara Municipal do Rio, teria recebido autorização de lideranças do tráfico para atuar politicamente na comunidade da Gardênia Azul, na zona oeste da capital fluminense.
No entanto, segunda a decisão, a principal evidência usada para incluir Salvino na investigação era uma conversa de WhatsApp entre Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, e Elder de Lima Landim, o Dom, datada de março de 2025.
Por meio de mensagens, os dois faccionados mencionariam uma suposta autorização para que o vereador pudesse atuar na comunidade carioca. Entretanto, o magistrado entendeu que o diálogo isolado não sustenta a continuidade das investigações.
“Até o presente momento não há, porém, qualquer outro elemento concreto que indique conduta criminosa praticada pelo investigado”, destacou o juiz.
Sigilo é derrubado
O juiz também ordenou a suspensão do sigilo sobre o processo principal e sobre um procedimento conexo referente à quebra de sigilo telefônico e telemático dos investigados.
Mesmo assim, os autos permanecerão sob segredo de Justiça por conta da presença de dados sensíveis, além da continuidade das apurações envolvendo outros investigados mencionados no caso.
A decisão igualmente autorizou, de forma oficial, a inclusão dos advogados de defesa nos autos.
Em nota, a PCERJ informou que as prisões realizadas pela corporação foram analisadas e acolhidas pelo Ministério Público (MPRJ) e pelo Poder Judiciário, que concordaram com as medidas judiciais adotadas no caso.
“A instituição reforça que sua atuação é pautada exclusivamente por critérios técnicos e jurídicos, sem qualquer tipo de interferência. A Polícia Civil respeita integralmente as decisões da Justiça, ao mesmo tempo em que seguirá atuando com responsabilidade, imparcialidade e rigor investigativo”, finalizou a nota.
Quem é Salvino
Nascido e criado na Cidade de Deus, o vereador, que tem 28 anos, é formado em Gestão Pública pela Universidade Federal do RJ.
Em 2021, aos 22 anos, foi considerado o secretário municipal mais jovem, à frente da Secretaria da Juventude. Este é o seu primeiro mandato. Ele atuou como secretário na terceira gestão do prefeito Eduardo Paes entre janeiro de 2021 e abril de 2024.




