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Após operação da PF, oposição isola Ciro e governo mira Flávio com “BolsoMaster”


A operação da Polícia Federal (PF) contra o senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PI), abriu uma nova frente de tensão no entorno do bolsonarismo.

A corporação deflagrou nesta quinta-feira (7/5) uma nova fase da Operação Compliance Zero, que investiga um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados ao parlamentar e ao irmão dele, Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima.

O Metrópoles apurou que, enquanto setores da oposição passaram a atuar para conter o desgaste de Ciro e evitar que o caso contaminasse a articulação da direita para 2026, governistas enxergaram na investigação a oportunidade de aproximar o escândalo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o principal nome do bolsonarismo para a próxima disputa presidencial.

O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira
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O presidente nacional do PP, Ciro Nogueira

KEBEC NOGUEIRA/ METRÓPOLES @kebecfotografo

Senador Flávio Bolsonaro
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Senador Flávio Bolsonaro

KEBEC NOGUEIRA/METRÓPOLES @kebecfotografo

Vorcaro é suspeito de fraude bancária bilionária
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Vorcaro é suspeito de fraude bancária bilionária

Arte sobre foto de divulgação

Governo intensifica ofensiva contra Flávio

Nos bastidores do Congresso, a base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou a defesa de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPU) para investigar o Banco Master e passaram a impulsionar a marca “BolsoMaster” nas redes e em declarações públicas.

A expressão virou uma tentativa de sintetizar, em um único rótulo político, a relação entre figuras do Centrão, integrantes do antigo governo e suspeitas levantadas pela investigação da PF. A avaliação entre governistas é de que o episódio pode atingir não apenas Ciro, mas a própria construção política em torno de Flávio.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, publicou nas redes sociais uma mensagem que relaciona Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira ao caso do banco Master. “O vice dos sonhos de Flávio Bolsonaro: Ciro Nogueira, da mesada de 300 mil do Master. Precisa desenhar?”, escreveu.

Oposição na retaguarda

Do outro lado, aliados de Flávio tentam impedir que a investigação ultrapasse a figura de Ciro e alcance diretamente o núcleo bolsonarista. A leitura entre interlocutores do senador é de que a operação tem potencial para produzir desgaste político, mas ainda sem elementos que conectem formalmente Flávio ao caso investigado pela PF.

Ao Metrópoles, o líder da oposição na Câmara, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), afirmou que “quem rouba” deve “pagar”, e disse não acreditar que o caso terá impacto nas eleições.

“Zero problema com relação a isso [de a operação impactar a eleição de Flávio]. Estamos com a mesma postura de todas as entrevistas que concedemos até agora como líderes da oposição: quem rouba paga. E paga caro, quem quer que seja. Não passamos pano para ninguém, ok?”, declarou.

Em nota, Flávio afirmou confiar na apuração conduzida pelo STF e defendeu uma investigação “com rigor e transparência”, sem citar nominalmente Ciro.

“Confiamos na relatoria do caso Master, conduzida pelo ministro André Mendonça, e esperamos uma ampla apuração”, disse o senador.

Articulações de Ciro Nogueira

Ciro foi ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL). Antes disso, porém, também manteve trânsito em governos petistas e integrou a base da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Nos bastidores, o senador passou a ocupar uma ala mais pragmática da direita e defendeu aproximação com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) como alternativa competitiva para 2026, movimento que gerou ruídos com setores mais alinhados ao núcleo bolsonarista.

Ciro também entrou em tensão nas negociações em Santa Catarina, onde aliados de Bolsonaro resistiram ao acordo que previa apoio ao senador Esperidião Amin (PP-SC) na disputa local. Após pressão da ala mais bolsonarista da direita, a tendência passou a ser uma chapa pura do PL, com a deputada Caroline de Toni (PL-SC) e o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ).





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